Tag: Crônica

Garota, esquece a Disney e escreve seu conto feliz

Toda menina, ou a maioria delas, seja por gostar, ou seja obrigada, passou por aquela fase incrível dos queridos, e hoje temidos, contos de fadas.

E tudo é pior para aquelas que como eu, gostavam. A gente cresceu naquela ânsia de encontrar um daqueles caras, daqueles que a Disney fez questão de colocar em todos os filmes, em todos os seus contos de fada. Bom, depois que a Disney apresentou não tinha como, a menina sonhava com o belo dia. Quem nunca? Me diz quantas histórias dessas a gente ouviu, ou viveu? Todas nós temos aquele momento esperando o cara certo. E mais todos aqueles clichês de alma gêmea, de tampa da panela, de metade da laranja, mas enfim, vamos voltar para o conto de fadas.

Esse ideal de vida, por mais que a gente não admita é o nosso desejo secreto. Como diria a Lua, a gente vive como a Gisele, em Andalasia, sonhando com o nosso príncipe, e evitando viver algo real, num mundo real. Cinderela, Branca de Neve, Rapunzel, A pequena Seria, Bela adormecida… Ah, tudo bem que ainda tínhamos aquelas mais interessantes como a Mulan, a Jasmine, a Pocahontas, até a própria Bela da fera. A grande maioria das meninas tinham suas princesas preferidas e que acabaram formando um pouco da personalidade delas.

Você nunca deve ter visto uma princesa má não é? Princesas da Disney são sempre vítimas. A vida delas é sempre influenciada por tragédia, alguma maldição, masmorra, uma madrasta malvada, perdeu ou foi isolada de sua boa mãe e vive de alguma maneira num poço, torre, exílio. Você já viu alguma princesa ser feliz antes do príncipe encantando? Alguém já reparou que as princesas não têm entre seus problemas as amizades, ou afins? Pois é, no mundo mágico de Wall o problema é a falta do homem, e a solução é ele também.

A Disney criou milhares de princesas, com um intimo complexo de protagonista que acabamos nos encaixando. Não que devamos ser figurantes, pelo contrário. Mas acabamos nos tornamos as próprias princesas. E as princesas ególatras estão por toda parte, malcriadas pelos contos. Não só elas, mas as princesas infelizes sem um príncipe, e as princesas incapazes de se amar sozinhas também.

Se a Disney não existisse, Nossa missão seria bem mais fácil. Ok, a culpa não é só do Wall, É minha também! É nossa.

Tanto tempo se passou não é, queridas princesas, garotas. É possível sim ser feliz antes do príncipe, ou simplesmente sem ele assim como Elsa e Ana. Olhe para o espelho, e diga“ espelho, espelho meu, existe alguém mais feliz que eu, ou que mais me ame do que eu?”

Vai garota, escreve seu próprio conto, sem final, só feliz.

O café já esfriou

Já tiraram a mesa, o café já esfriou. E eu insisto em ficar por aqui. Eu já estou há cinco minutos atrasada, o alarme toca. E eu insisto em ficar por aqui. Ir embora podia ser tão mais fácil se eu não tivesse deixado um punhado de pedaços meus com você.

Eu já fui embora. Sai correndo quase como num último suspiro aliviado em sentir que eu ainda me pertencia, antes de me doar completamente a você. Eu virei as costas como quem suplica por uma chance de não se sentir despedaçada. A gente sempre foi a calmaria e o desespero. Sua calmaria gélida e meu desesperado grito contido – de quem muito ama.

E eu quis ficar, mesmo quando não tinha mais motivos que me prendessem e a vontade de voar por ai numa inconstância desconhecida me chamava aos prantos, e eu fingia não ouvir. E eu quis ficar, mesmo quando você não veio me ver naquela tarde cinza de domingo. E eu quis ficar, mesmo que a minha lista de vontades proclamadas estivessem estagnadas, sem ao menos metade dos itens terem sido feitos.

E eu quis ficar, mesmo quando a rotina já me causava tantas dores de cabeça que já não sabia ao certo o que eu ainda estava fazendo ali. E eu quis ficar, mesmo que um turbilhão de dúvidas inconstantes e um descompasso de sentimentos invadissem meu peito em turbulência. E eu quis ficar, mesmo não sabendo ao certo porque ficar.

Mas continuava seguindo em frente, cuidadosa para que minha face não traduzisse o caos que se passava em mim. Eu fui embora – mesmo deixando pedaços meus com você. Porque o café já esfriou e você até tentou me segurar, mas só era mais uma sensação de falsa eternidade.

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