Tag: Coluna

O café já esfriou

Já tiraram a mesa, o café já esfriou. E eu insisto em ficar por aqui. Eu já estou há cinco minutos atrasada, o alarme toca. E eu insisto em ficar por aqui. Ir embora podia ser tão mais fácil se eu não tivesse deixado um punhado de pedaços meus com você.

Eu já fui embora. Sai correndo quase como num último suspiro aliviado em sentir que eu ainda me pertencia, antes de me doar completamente a você. Eu virei as costas como quem suplica por uma chance de não se sentir despedaçada. A gente sempre foi a calmaria e o desespero. Sua calmaria gélida e meu desesperado grito contido – de quem muito ama.

E eu quis ficar, mesmo quando não tinha mais motivos que me prendessem e a vontade de voar por ai numa inconstância desconhecida me chamava aos prantos, e eu fingia não ouvir. E eu quis ficar, mesmo quando você não veio me ver naquela tarde cinza de domingo. E eu quis ficar, mesmo que a minha lista de vontades proclamadas estivessem estagnadas, sem ao menos metade dos itens terem sido feitos.

E eu quis ficar, mesmo quando a rotina já me causava tantas dores de cabeça que já não sabia ao certo o que eu ainda estava fazendo ali. E eu quis ficar, mesmo que um turbilhão de dúvidas inconstantes e um descompasso de sentimentos invadissem meu peito em turbulência. E eu quis ficar, mesmo não sabendo ao certo porque ficar.

Mas continuava seguindo em frente, cuidadosa para que minha face não traduzisse o caos que se passava em mim. Eu fui embora – mesmo deixando pedaços meus com você. Porque o café já esfriou e você até tentou me segurar, mas só era mais uma sensação de falsa eternidade.

Viagem no tempo

tumblr_nvlwy1NIvQ1sfhmipo1_500

O filme começa com um jovem muito alto, muito magro e muito ruivo apresentando sua família esquisita, uma vida aparentemente normal, a não ser pela incrível habilidade de viajar no tempo que os homens da família possuem, e que ele descobriu aos 21 anos.
Este é o início de About time, dirigido por Richard Curtis, que vi um dia desses na netflix em uma tarde das minhas amadas férias, estas, que tem sido preenchidas por uma maratona de filmes – a grande maioria são romances daquele tipo que digo estar na minha categoria pessoal: “filmes de chorar”.
“A única certeza que temos ao nascer é que um dia iremos morrer”, me disseram. Há quem acredite que na vida não temos controle de nada, que nosso destino já está escrito antes mesmo dos nascimentos dos nossos tataravós; já eu, acredito que estamos “na mira do imprevisível”, como disse Martha Medeiros em uma de suas crônicas.
Seria tão mais legal se viajássemos no tempo e até mesmo “aproveitar mais” o dia, pensei. Mais uma volta na roda-gigante daquele parque que fui quando era pequena, mais um abraço naquelas pessoas que amo e já se foram, e eu até mesmo pegaria o numero do telefone da primeira melhor amiga, da primeira série, que acabei perdendo contato.
Enquanto eu assistia ao filme e pensava em minhas viagens no tempo, que talvez nunca se realizem, uma cena me chamou a atenção: “Todos nós viajamos juntos pelo tempo, todos os dias das nossas vidas. Só podemos fazer o nosso melhor para aproveitar este passeio surpreendente.” e chorei. É, talvez seja melhor aproveitar o hoje como se já tivéssemos passado por aqui, como se o nosso hoje fosse a reprise de um dia bom que iríamos querer voltar.

Desenvolvido em WordPress & Tema por Anders Norén

%d blogueiros gostam disto:
Aguarde...

ASSINE A NEWS

Digite seu endereço de e-mail e seja a primeira a saber quando tiver alguma novidade por aqui. ;)
PageLines